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Yoshinori Ono deixa a Capcom

Yoshinori Ono e seu amigo inseparável de viagens, Blanka.

Yoshinori Ono anunciou hoje (9), através de sua conta no Twitter, que está deixando a Capcom após quase 27 anos de empresa. Considerado como o grande responsável pelo ressurgimento da série Street Fighter, e por toda a comunidade de jogos de luta de uma maneira geral, Ono iniciou sua trajetória na Capcom em abril de 1994, trabalhando como engenheiro de som.

Yoshinori Ono e Arildo Ricardo. Ono sempre de bom humor com os fãs de Street Fighter.

Dentre mais de 30 títulos, Ono sempre teve um enorme envolvimento com os jogos de luta, como Street Fighter Alpha 3, Street Fighter III 3rd Strike, Capcom Fighting Evolution, Street Fighter X Tekken, Darkstalkers Resurrection, Street Fighter V, Marvel vs. Capcom: Infinite, dentre outros. Mas foi em Street Fighter IV, que o produtor conquistou os fãs da série. Antes de assumir o time de desenvolvimento de Street Fighter, o último título linear era até então SF III: 3rd Strike, lançado em 1999. Ono precisou se esforçar muito para conseguir convencer, e conseguir a autorização de seu chefe na época (Keiji Inafune) e o presidente da Capcom (Kenzo Tsujimoto), para dar sequência a série. 2008, marcou o retorno triunfal da franquia, nos arcades japoneses, em um hiato de quase 10 anos.

Tomoaki Ayano com cosplay de Juri e Yoshinori Ono de Chun-Li durante painel do SSFIV.

O sucesso de SFIV, aliado a simpatia do produtor, o fez ser amado pelos fãs, que tinham uma linha direta com ele. No entanto, Ono começou a mudar de cargo dentro da Capcom, nos títulos seguintes que envolveram Street Fighter. Quando Yoshinori Ono assumiu o projeto do crossover Street Fighter x Tekken, de 2012, Tomoaki Ayano, então produtor assistente do SFIV, virou o principal nome da franquia durante o desenvolvimento do Ultra SFIV. Em 2016 foi lançada a sequência direta, Street Fighter V, exclusivo para PlayStation 4 e PC*, e dois anos depois, Ono foi substituído por Ryozo Tsujimoto, responsável pelo sucesso de vendas estrondoso de Monster Hunter World, com Ono passando a ocupar um cargo menor na Capcom. A mudança causou uma certa estagnação na atualizações de conteúdo, o que fez os fãs inundarem as redes sociais de Ono, perguntando por novidades. Na época, Ono respondeu a comunidade, dizendo que ia levar essa informação ao time de desenvolvimento de SFV.

Anderson Castro e Yoshinori Ono com o Lifetime Achievement Award na Brasil Game Show 2018.

E, recentemente, mais precisamente em julho, o jogador profissional Ryan “Filipino Champ” Ramirez, após ter sido banido do circuito profissional por conta de um comentário de teor racista no Twitter (e por isso, não temer retaliação), revelou em uma live que Street Fighter VI estaria em desenvolvimento e previsto para ser lançado em 2021, para capitalizar nos consoles de próxima geração, mas por conta da pandemia causada pelo coronavírus (COVID-19), que assolou o mundo, teria sido adiado para 2022, e que, por esse motivo, Street Fighter V recebeu uma nova temporada de personagens.

Só que, isso, um novo rumor circulou, através do Twitter do insider (pessoa que tem acesso a determinada empresa, recebe informações antes que estas se tornem conhecidas do mercado) Dusk Golem, sinalizando que SFVI não foi bem recebido internamente por designers e testadores. O jogo teria muito foco em sua nova mecânica de equipe, o que não era o objetivo de um título de Street Fighter. Uma vez que esta decisão teria sido tomada por Ono, ele foi rebaixado de cargo e a produtora Midora Yuasa, teria assumido seu lugar. Devemos frisar, que isso é apenas um rumor, porém, Dusk Golem é famoso por vazar informações de Resident Evil, e na maioria delas, certeiras.

Leia abaixo, a íntegra da postagem do produtor executivo de Street Fighter, sobre deixar a Capcom:


Caros jogadores da série Street Fighter e membros da comunidade de jogos de luta,

Muitos eventos inesperados ocorreram globalmente em 2020. Especialmente o COVID-19 tem afetado significativamente a vida e a saúde de muitas pessoas em todo o mundo. Estou orando para que todos vocês e seus entes queridos estejam seguros e saudáveis.

Desde a Capcom Cup em 2013, a Capcom Pro Tour se tornou um evento anual devido ao enorme apoio contínuo dos jogadores e membros da Fighting Game Community em todo o mundo.

Nós da Capcom tivemos muitas discussões internas sobre o formato do Capcom Pro Tour 2020. Demorou muito para decidirmos o formato deste ano, mas acreditamos que a realização do evento em si recompensaria aqueles que têm apoiado o Capcom Pro Tour, independentemente de qual é o formato.

Nem é preciso dizer que sei que houve algumas críticas a esse formato específico. No entanto, estou totalmente convencido de que é importante lançar luz sobre várias esperanças, mantendo o evento mesmo assim.

Além disso, estou extremamente grato que tantos jogadores e membros da Fighting Game Community e seus indivíduos relacionados têm nos apoiado para que possamos fazer a Capcom Pro Tour acontecer neste ano.

Eu estou com a marca Street Fighter há muito tempo, vivenciando bons, maus momentos e até mesmo tempos inexistentes. Meu coração está cheio de gratidão por aqueles jogadores que têm dado um apoio caloroso e gentil à marca, especialmente na última década ou então, quando todas as atividades da marca Street Fighter recuperaram o sol e aumentaram sua vivacidade.

E agora, depois de servir quase 30 anos na Capcom, estou deixando a empresa neste verão (inverno no Brasil). Isso significa que vou renunciar à minha posição como gerente de marca para vários títulos da Capcom, incluindo Street Fighter.

A equipe da Capcom na nova geração continuará cuidando da marca Street Fighter e liderando os World Warriors. E acredito que eles continuarão tornando Street Fighter extraordinário. Estou ansioso para ver a nova marca Street Fighter e como ela será expandida, como apenas um dos jogadores regulares da próxima vez.

Tenho tentado entrar em contato com aqueles com quem trabalhei no passado sobre minha demissão. No entanto, é muito difícil alcançar todas as pessoas com as quais me associei ao longo de minha carreira por quase três décadas, então, gostaria de pedir humildemente sua compreensão. Quando surgir a oportunidade, gostaria de estender calorosas saudações e minha gratidão aos indivíduos e empresas com quem tive a chance de trabalhar.

Mais uma vez, a muitos jogadores, à comunidade de jogos de luta e sua equipe de operação, e a todos os fãs de Street Fighter, muito obrigado pelo seu apoio contínuo.

Lamento que eu, como produtor executivo da série Street Fighter, não tenha podido fazer “SHORYUKEN” junto com todos vocês em cada evento em 2020, então, permitam-me gritar como minha declaração final nesta mensagem para vocês.

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SHORYUKEN!

*A Capcom não passava por um bom momento, e a Sony participou do financiamento do título, que sofreu muitas críticas por conta da pouca quantidade de personagens e modos de jogo, incluindo o principal motivo das críticas, a falta do tradicional modo arcade. Mais tarde, a Capcom explicaria, que foi uma estratégia, para incentivar o cenário competitivo. As vendas ficaram abaixo do esperado, e a Capcom trabalhou muito para as vendas crescerem e atingirem números satisfatórios e condizentes com o nome da marca, além de ter conseguido ser majoritariamente protagonista nos campeonatos por todo o mundo.

Autores: Anderson Castro e Luiz Fernando Portugal Fuchs
Fontes: Twitter Yoshinori Ono, Gamer.com, Eventhubs, Twitter Dusk Golem